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    Heroísmos e Escândalos

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    Alexandre Garcia da Silva

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    Heroísmos e Escândalos

    Mensagem  Alexandre Garcia da Silva em Qui Out 11, 2012 3:47 am

    Não adianta. Não sou otimista. Sou um sujeito que acredita na possibilidade de as coisas evoluírem, o que é bem diferente. O otimista é um covarde que se recusa a encarar o lado sórdido e sujo das coisas. O otimismo engessa o senso crítico da pessoa.
    E é em pleno clima de otimismo que a nação recebe a notícia de que o STF condenou os réus do escândalo do mensalão, o que parecia impossível no País da impunidade. Há os que falam em mudança no cenário político tupiniquim. As revistas deformadoras de opinião (sim, todo formador de opinião é, por essência, deformador de opinião), vejas, istoés, épocas etc cantam em uníssono a marchinha desse carnaval de imbecilidade para os castrados de memória.
    Sábio eram os gregos. Na sua língua, a palavra verdade era "aletheia". Etimologicamente, o não-esquecido (o prefixo "a" em grego tem valor negativo; o "letheia" nos remete ao lendário rio "Letes", onde as almas matavam sua sede e, imediatamente, esqueciam sua vida anterior).
    Só me basta dizer uma coisa para calar todo esse otimismo imbecil:
    Anos 90. "Impeachment" do então Presidente collorido. Vitória da Democracia. O mesmo povo que pela primeira vez depois da Ditadura escolhia seu Presidente, exercia seu sagrado direito de afastá-lo do poder.
    Pergunto: o que mudou daquela época até agora?
    E por que agora vai mudar?
    Como tudo é momice, como tudo é carnaval, chegaram até mesmo ao ponto de comparar o Ministro Joaquim Barbosa a uma espécie de super-heroi. Sua toga negra bem lembra a capa dum certo heroi de Gotham City.
    A mesma imprensa que exalta esse personagem, negro de origem humilde que, com muito esforço, chegou (merecidamente, diga-se de passagem) à mais alta Corte do país, há pouco mais de um ano se esmerava em divulgar notícias de que o Exmo. Ministro Joaquim Barbosa faltava às sessões do STF em razão de uma alegada dor nas costas, ao mesmo tempo em que divulgava fotos em que ele, em trajes informais, participava duma festa. O teor da notícia: doente para trabalhar, mas não para farrear.
    Além da triste verdade de que nada vai mudar, além do fato de que nossa imprensa não só informa como também deforma, há um outro ponto na história da condenação histórica do mensalão: enquanto este ganhava todos os destaques possíveis na mídia, a CPI do Cachoeira simplesmente desapareceu. Como se nunca houvesse sido. Arrisco-me a falar uma besteira monumental: o escândalo do Mensalão implica única e exclusivamente o PT; o do Cachoeira se estende por partidos da situação e da oposição, PSDB inclusive. Meses atrás chegou-se a falar, inclusive, que um dos tentáculos do caso Carlinhos Cachoeira chegava às obras do Rodoanel, implicando os governos de Alkimin e Serra. Enquanto ocorrem o estardalhaço do Mensalão do PT e o esquecimento do caso Cachoeira, que complica também o PSDB, tem-se as eleições para a Prefeitura de São Paulo. Será que o Serra vai se aproveitar do heroísmo do Joaquim Barbosa para tomar votos do Haddad e conquistar a cobiçada cadeira? É possível. Afinal, o que está em jogo é, simplesmente, o terceiro maior orçamento do País.

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