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    Uma Justa Homenagem

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    Alexandre Garcia da Silva

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    Uma Justa Homenagem

    Mensagem  Alexandre Garcia da Silva em Sex Jul 13, 2012 2:53 am

    Dentro da ideia de que, com "Crônicas de Piápolis", eu pretendo homenagear outras linguagens e artistas que tanto admiro, está na hora de falar de um escritor que foi especial para a criação do meu pequeno universo.
    Lima Barreto. Sua obra mais famosa é justamente "Triste Fim de Policarpo Quaresma". Mas não é a única coisa sensacional que ele escreveu.
    A minha preferida é o romance "Recordações do Escrivão Isaias Caminha". Mas, para as minhas "Crônicas", a mais importante foi "Os Bruzundangas". A narrativa, irônica ao extremo, trata, através de uma série de crônicas (!) que abordam os mais diversos assuntos, de um país fictício onde tudo é crítico, ridículo, enfim, a suma do subdesenvolvimento latinoamericano.
    Inicialmente eu iria ambientar minhas histórias no Brasil. Mas, após ler essa obra genial (e, infelizmente, pouco conhecida e estudada), aceitei o desafio de criar todo um país fictício. E vocês não fazem ideia da dimensão de tal desafio! Se, por um lado, tenho a liberdade de inventar datas, lugares e personagens (liberdade essa que não existiria caso Sotero & cia. fossem brasileiros), por outro tenho todo um universo para criar. Tenho uma história, uma geografia, uma cultura, para inventar. Qual é a moeda de Piápolis? Também sofreu com uma ditadura militar assim como seus pares sulamericanos? Que música o povo piapolês ouve? Como é o clima? A economia? Vejo-me obrigado a ler e reler livros de geografia, direito, sociologia, história... é cansativo às vezes. Mas claro que também é enriquecedor.
    Bom, já apareceu nas primeiras histórias, e tornará a aparecer, as reuniões de Sotero, Heloísa, Silas, Cao e Darci no tradicional "Café Java". Eu tirei esse nome esquisito de um café que no Rio de Janeiro, no final do século XIX e começo do XX, era o ponto de encontro de intelectuais, escritores e jornalistas, dentre eles nosso grande Lima Barreto (o conto mais famoso dele chama-se "O Homem Que Sabia Javanês - será que ele se inspirou no nome do café que frequentava?). O "Café Java" de Piápolis é, portanto, uma singela homenagem ao mestre Lima.

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