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    Por que "Crônicas"?

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    Alexandre Garcia da Silva

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    Por que "Crônicas"?

    Mensagem  Alexandre Garcia da Silva em Qui Maio 17, 2012 2:51 am

    Olá, pessoal, tudo bem?
    Ao falar do meu trabalho, gostaria de começar explicando por que "Crônicas de Piápolis" e não, simplesmente, "Piápolis".
    Bom, eu achei que soaria de forma elegante, rsrsrsrsrs!
    Brincadeiras à parte, é bom lembrar que a crônica é um gênero literário que tem como tema, fundamentalmente, fatos do nosso cotidiano. Todo tipo de coisas que acontecem à nossa volta. Engraçadas, comoventes, revoltantes, intrigantes...
    Na velocidade cada vez mais insana em que a nossa vidinha vai se desenvolvendo, muitas coisas marcantes podem passar despercebidas. Registrar tais coisas é, creio, uma das tarefas do artista, e do cronista em particular.
    E o que eu faço nas minhas histórias é apresentar fatos do cotidiano de uma metrópole caótica de um pequeno país latinoamericano.
    Mas, há um outro motivo, também.
    Muitas nações desenvolveram sua identidade através de uma obra literária na qual o escritor colocou todos os valores pelos quais essas mesmas nações se orientaram. Como exemplos: a "Ilíada" e a "Odisseia" representavam a alma do povo grego, assim como a "Eneida" fazia com o povo romano, a "Divina Comédia" com os italianos, "Os Lusíadas" com os portugueses etc.
    Todos os exemplos acima tratam de poemas épicos que, entre outras coisas, caracterizam-se pelo seu tom grandiloquente.
    E o Brasil? Que gênero literário "apresentou" o Brasil ao mundo? Apesar de alguns poemas épicos terem sido compostos ("O Caramuru" e "A Prosopopeia", por exemplo), o que revelou o Brasil ao imaginário dos povos (em especial, dos europeus), foram as crônicas que os viajantes (muitos deles padres, mas também aventureiros, naturalistas etc)escreviam, relatando a paisagem e o povo que aqui encontravam e que era totalmente diferente de tudo que até então eles conheciam. Dois bons exemplos: "Viagem ao Brasil" de Hans Staden, e "Tratados da Terra e Gente do Brasil", de Fernão Cardim. É bom ressaltar que, naquela época, o Brasil era tão exótico e maravilhoso ao olhar europeu quanto o seria para gente uma visita a um planeta Marte habitado por alienígenas como nos filmes de ficção científica.
    Guardadas as devidas proporções, o que eu estou fazendo nas minhas histórias é apresentar às pessoas um novo mundo (que não é muito diferente do nosso velho Brasil). Estou meio que fazendo o papel dum viajante registrando as coisas e as pessoas com que me deparo. A terra e a gente de Piápolis.
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    Osmariobro

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    Re: Por que "Crônicas"?

    Mensagem  Osmariobro em Seg Maio 21, 2012 6:36 am

    Alexandre Garcia da Silva escreveu:Olá, pessoal, tudo bem?
    Ao falar do meu trabalho, gostaria de começar explicando por que "Crônicas de Piápolis" e não, simplesmente, "Piápolis".
    Bom, eu achei que soaria de forma elegante, rsrsrsrsrs!
    Brincadeiras à parte, é bom lembrar que a crônica é um gênero literário que tem como tema, fundamentalmente, fatos do nosso cotidiano. Todo tipo de coisas que acontecem à nossa volta. Engraçadas, comoventes, revoltantes, intrigantes...
    Na velocidade cada vez mais insana em que a nossa vidinha vai se desenvolvendo, muitas coisas marcantes podem passar despercebidas. Registrar tais coisas é, creio, uma das tarefas do artista, e do cronista em particular.
    E o que eu faço nas minhas histórias é apresentar fatos do cotidiano de uma metrópole caótica de um pequeno país latinoamericano.
    Mas, há um outro motivo, também.
    Muitas nações desenvolveram sua identidade através de uma obra literária na qual o escritor colocou todos os valores pelos quais essas mesmas nações se orientaram. Como exemplos: a "Ilíada" e a "Odisseia" representavam a alma do povo grego, assim como a "Eneida" fazia com o povo romano, a "Divina Comédia" com os italianos, "Os Lusíadas" com os portugueses etc.
    Todos os exemplos acima tratam de poemas épicos que, entre outras coisas, caracterizam-se pelo seu tom grandiloquente.
    E o Brasil? Que gênero literário "apresentou" o Brasil ao mundo? Apesar de alguns poemas épicos terem sido compostos ("O Caramuru" e "A Prosopopeia", por exemplo), o que revelou o Brasil ao imaginário dos povos (em especial, dos europeus), foram as crônicas que os viajantes (muitos deles padres, mas também aventureiros, naturalistas etc)escreviam, relatando a paisagem e o povo que aqui encontravam e que era totalmente diferente de tudo que até então eles conheciam. Dois bons exemplos: "Viagem ao Brasil" de Hans Staden, e "Tratados da Terra e Gente do Brasil", de Fernão Cardim. É bom ressaltar que, naquela época, o Brasil era tão exótico e maravilhoso ao olhar europeu quanto o seria para gente uma visita a um planeta Marte habitado por alienígenas como nos filmes de ficção científica.
    Guardadas as devidas proporções, o que eu estou fazendo nas minhas histórias é apresentar às pessoas um novo mundo (que não é muito diferente do nosso velho Brasil). Estou meio que fazendo o papel dum viajante registrando as coisas e as pessoas com que me deparo. A terra e a gente de Piápolis.

    Excelente proposta, companheiro Alexandre ^^
    É como minha mãe sempre diz... não precisamos ir muito longe para ver coisas diferentes!
    E realmente, o Brasil não possui um registro caracterizado assim como todos os que você citou. Aliás, acho que quase nenhum país colonizado possui. Mas aqui temos um problema mais sério, que é a própria população não valorizar o país, achando que o que tem lá fora é melhor. É engraçado como aqui em São Paulo, por exemplo, temos avenidas inteiras lotadas de teatros, cinemas, museus, etc. e vira e mexe o povo reclama que "não tem para onde ir para passear". E quando resolvem ir nesses lugares se deparam com uma grande quantidade de turistas. Aposto que muitos deles economizam o salário durante meses só para viajarem até aqui e visitar todos os locais... enquanto tem gente que nasce e cresce pertinho deles, e passa a vida inteira sem ir lá. Vai entender, né?
    Novamente, bom trabalho, companheiro! ^^

    suely

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    Re: Por que "Crônicas"?

    Mensagem  suely em Ter Maio 22, 2012 12:22 am

    Então, Alexandre,e ainda a respeito das crônicas,o curioso cá no Brasil, é o fato de
    que com tantas etnias juntas ocupando este espaço continental, falamos uma língua somente!E mais : parece existir em todos os tempos, em todos os lugares,além da linguagem comum, as meio que inconsciente, mesmas posturas,mesma simbologia enfim um único animismo..E aí que somos uma miscelânea de letra não morta, mas muito viva,em caótica pulsação! `Vejo` mais ou menos assim Piápolis. Estou certa?

    Alexandre Garcia da Silva

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    Re: Por que "Crônicas"?

    Mensagem  Alexandre Garcia da Silva em Ter Maio 22, 2012 3:33 am

    Osmar e Suely, obrigado pela troca de ideias. Antes de mais nada, uma coisa que eu queria acrescentar acerca do porquê de "crônicas" é que, entre outras coisas, eu quero brincar com esse possível diálogo entre as artes. Nesse caso específico, entre quadrinhos e literatura. Um aviso aos navegantes: vai haver muitas referências nas minhas histórias às outras mídias. Falarei disso em outros tópicos.
    Sue, essa maneira como você vê Piápolis é exatamente como eu a vejo e sinto, também. Agora, pegue esse caos, essa miscelânia, e jogue isso num espaço reduzidíssimo. Piápolis, ao contrário do Brasil, não é um continente.

    Alexandre Garcia da Silva

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    Re: Por que "Crônicas"?

    Mensagem  Alexandre Garcia da Silva em Ter Maio 22, 2012 3:46 am

    " É engraçado como aqui em São Paulo, por exemplo, temos avenidas inteiras lotadas de teatros, cinemas, museus, etc. e vira e mexe o povo reclama que "não tem para onde ir para passear". E quando resolvem ir nesses lugares se deparam com uma grande quantidade de turistas. Aposto que muitos deles economizam o salário durante meses só para viajarem até aqui e visitar todos os locais... enquanto tem gente que nasce e cresce pertinho deles, e passa a vida inteira sem ir lá."
    Quanto a esse ponto, Osmar, Piápolis não é tão generosa em oferecer programas culturais aos seus. Ou melhor, é. Aos seus que são "donos" dela.
    Ou seja, os melhores teatros, os melhores cinemas, os melhores shows, só são acessíveis a uma parcela restrita da população. Que financia uma parcela restrita da classe artística (Sotero & cia., obviamente, não fazem parte dessa "panelinha").
    Enquanto isso, as classes mais desfavorecidas não tem condições financeiras nem culturais de aproveitar esses programas culturais. E os artistas mais desfavorecidos não tem quem os patrocinem nem público entre o povão. Eu vou trabalhar mais nisso nas próximas histórias.

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    Re: Por que "Crônicas"?

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